|Ξ|Se a era intelectual está perdida…|Ξ|

A cueca verde e amarela aperta a cabeça de muitos cidadãos.

Realidade. Os brasileiros, hoje, estão muito pouco interessados em realidade. Pff. Na verdade, o interesse real está é em fugir dela. E o pior, existe um sistema muito bem estruturado que incentiva essa situação. Mídia e Mercado são fortes aliados que contribuem bastante na alienação da sociedade moderna. É bem verdade que, no Brasil, uma parcela pequena de letrados lê e, desses aí, nem todos – otimista, eu, não? – lêem o que presta. Puxa, é a leitura que traz conhecimento. Logo, traz a consciência de mundo e, sem a consciência de mundo, o mundo sucumbe. O país já lê pouco e os que o fazem se intelectualizam menos ainda. Tsc, tsc.

Não, esses dias para trás, vi em um artigo da Folha de SP o que um ex-BBB disse sobre livros: “Graças a Deus, nunca fui de ler livro“.
Hilário.
O melhor foi a festa que a colunista, Bia Abramo, a dona do artigo, fez com a infeliz afirmação do cara: “O mais revelador é o alívio com que ele se expressa, como a dizer: ‘Graças a Deus não fui amaldiçoado com essa estranhíssima vontade, esse gosto bizarro, esse defeito de caráter’.” Fora a crítica: “O desprestígio do conhecimento letrado é marca funda da sociedade brasileira“.
Quanto a isso ninguém – que tenha um QI de no mínimo dois dígitos – vai discordar. Agora, alguém parou para pensar no por quê?

Alguns afirmam que livros são caros. E é verdade. Os livros bons tem preços bons – se é que me entendem.
Outros, por sua vez, dizem não ter tempo. Mas viver em um mundo capitalista selvagem como esse não é fácil, mesmo. Tempo é virtude de poucos e de crianças – ou nem isso. E alguns, ainda, como esse grande exemplo de SORTE brasileiro, proclamam que o livro não tem serventia. Onde estaria ele se não fosse o BBB?

Todas essas “desculpas” são fruto de uma mesma semente. O preço alto de um bom livro, a falta de tempo para uma boa leitura e a visão torpe do que seria uma ferramenta de integração social são consequências de uma sociedade que vem atrofiando cada vez mais sua capacidade.  Falta ainda muito incentivo para a intelectualização nesse país.

Apesar de existirem leis trabalhistas que limitam a jornada de trabalho do protelariado, o salário vêm se tornando insuficiente cada dia mais. A sociedade, opressora, impõe o consumismo e a acumulação de capitais como um conceito de HONRA atualizado. É mais bem visto aquele que tem mais, aquele que consome mais. Trabalhar, ganhar, TER DINHEIRO! E depois, consumir. Trabalhar mais! Ganhar mais! Ter mais dinheiro!! Aaah!!! Consumiiiiiiiiiirrr! Com o tempo, qualquer um cansa e a vontade de querer escapar da sua realidade vai aumentando. Nessa hora o Mercado mostra suas presas, proporcionando entretenimento e válvulas de escape para os saturados, aliviando-os. Em contrapartida, o fruto do seu trabalho é a moeda para a sua distração, já que nada aqui é de graça. Forma-se, então, um ciclo perfeito onde se trabalha, se ganha, se cansa, se distrai, se perde moeda e se trabalha de novo.

Com isso, as pessoas vão querer buscar fuga de realidade e não consciência de mundo. Se a procura por livros já é mínima, a pelos livros que acrescentam conhecimentos aplicados à vida, então, é a menor possível. Elas estão saturadas e cansadas de ter que pensar na realidade, acreditam que o verdadeiro prazer está na fuga dela.

Castro Alves desejava que todos tivessem acesso aos livros. Só que, naquela época, eles eram símbolos de eruditismo e poucos tinham seu acesso. Hoje, o livro está tão desvalorizado que pode ser encontrado inlcusive segurando os pés de uma mesa defeituosa, ou o que seja. Tenho certeza de que o poeta se referia aos livros de forma que proporcionassem uma capacitação crítica nos leitores, aliando PRAZER com CONHECIMENTOS aplicáveis à vida.

Não adianta que todos tenham acesso ao livro se não há entendimento do seu precioso valor. Deve-se disseminar o gosto pela leitura; por aquela que traz conteúdo aproveitável para o intelecto. Instigar a consciência de mundo nas gerações escolares. Quanto menos iluminada uma população for, menos sabida, menos consciente, mais suscetível estará á uma alienação e melhor será para aqueles que se beneficiam dos alienados.

Infelizmente, para muitos, o trabalho e somente o trabalho gera a ascensão econômica. Esquecem completamente da intelectualização e escancaram as portas para a profissionalização. Estão querendo ascender de maneira errada.
A nossa elite econômica e social é composta por pessoas esclarescidas.

Charles Chaplin em “Os Tempos Modernos” traduz muito o que quer dizer profissionalização sem preocupação intelectual; o trabalhador é apenas uma ferramenta para a ascensão das pessoas que estão no topo da pirâmide socio-econômica. A tendência do empregado é ficar abobado e alienado. Para eles, quanto menos esclarecido o trabalhador for, melhor.

É claro que, então, haverá um incentivo à conformação ignorante. “Fast Food e Tv” é o “pão e circo” do século XXI. Mídia e Mercado aliados na busca pelo insaciável ganho de capital. Aos leitores, aspirantes a intelectuais, encha-os de preocupações e sobrecarregue-os, crie necessidades de fuga. Assim, quando sentirem necessidade de ler, será um livro que fuja de sua realidade. Nada que incentive a intelectualização. De esclarescidos, bastam eles, os great-leaders.
Há, portanto – quando há – a busca pelos livros que fogem do que é real – isso quando os programas televisivos de massa não entram em cena para fazer o papel de distração e alívio social -, onde um mundo fantasioso e desejoso envolve o leitor, proporcionando-lhe a distração de que precisa. Nada de consciência de mundo.

Nesse contexto, para os que gostam de ler, o livro é sinônimo de puro entretenimento. Onde está o aproveitamento prático do conteúdo? Para aqueles que não gostam de ler, o livro é sinônimo de penitência.  Será que a era intelectual está perdida?

Atualmente, são poucos os que se interessam por intelectualização, consciência de mundo, do real. Franceses, alemães e os argentinos são muitos desses poucos que vêem nos livros grandes companheiros. E, se nível cultural for determinante para o desenvolvimento de um país, a Argentina certamente será a aprimeira nação desenvolvida da América Latina. Bom é saber que exemplo é tudo de bom.

O mundo é muito maior que o umbigo desse Sistema. É até fácil enxergar isso; difícil é ter a vontade de enxergar. Não podemos ficar acomodados, tendo tamanha negligência. Devemos conhecer e explorar a imensidão desse mundo.
Com o incentivo certo, quem sabe, não? Se a era intelectual está perdida, dê-lhe mapa e bússola.

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