|Ξ|O Paradoxo dos Trigêmeos|Ξ|

Certo dia, três pessoas resolveram nascer.

Tinham os mesmos pais, dividiram a mesma placenta, mamaram do mesmo leite, cresceram juntos e compartilharam das mesmas situações na infância.

Eram trigêmeos típicos.

O primeiro queria ser advogado desde pequeno, então desenvolveu aptidões na área de comunicação. Foi o cara que livrava os irmãos de uma surra após uma bagunça típica.

Por exemplo, convencendo a mãe de que os ovos que estão quebrados e espalhados pela casa foi obra das galhinhas foragidas da granja que fica no setor vizinho; eles só tentaram ajudar na captura de algumas delas.
Definitivamente, esse era o mais argumentativo e criativo dos três.

O segundo queria ser engenheiro desde pequeno, então desenvolveu aptidões na área de planejamento. Foi o cara que arquitetava todas as bagunças típicas. Por exemplo, desde como conseguir os materiais necessários para serrar a árvore que vai cair na casa do vizinho chato que não quis devolver a bola que caiu lá quando brincavam de chutou-quebrou-correu, até em como fazer isso parecer uma tragédia natural.
Definitivamente, era o mais organizado e estratégico dos três.

O terceiro não sabia a profissão que queria exercer. Mas admirava os irmãos que sempre eram tão bons naquilo que tinham aptidão. Queria ser como eles. Seguia-os. Apoiava-os. Observava-os. Ajudava-os. Encobria-os. Foi o cara que tratava das deficiências das bagunças típicas. Às vezes enxergava um buraco nos planos do segundo e tapava-o. Às vezes ajudava o primeiro no livramento dos castigos com algum argumento que desse mais força à desculpa em pauta.
Definitivamente, era o mais observador e analítico dos três.

No começo da adolescência, seus pais se separaram. E, para decidir a guarda dos meninos, foram consideradas muitas coisas. A profissão do pai e da mãe, o tempo para dedicação aos meninos e as aptidões deles, foram algumas delas.

No final, o primeiro foi morar com a mãe, que era secretária de um deputado, o segundo com o pai que era mestre de obra e o terceiro foi para um internato militar. O pai não queria deixar a mãe com dois filhos, e ela, idem. Então o terceiro acabou, aparentemente, “se ferrando”.

No fim das contas, o primeiro virou vendedor de telemarketing, o segundo conseguiu um emprego junto com o pai, e o terceiro virou médico das forças armadas.

Hehe…

Todos sonhamos alto. Miramos sempre no melhor. A melhor profissão, o melhor cargo, etc. Fazemos os nossos planos com base no que há de mais reconhecido.

É claro que ninguém faz planos almejando ser o pior. Mas quem disse que essa profissão é melhor que aquela? Por que uma profissão é menos bem vista que outra? Todas têm a sua importância, não é? Ou então deixariam de existir.

Às vezes, é por causa de certos tipos de preconceitos que um gari, por exemplo, é mal visto, mal pago e considerado João Ninguém. Se enxergássemos que manter as coisas limpas é tão importante quanto manter o corpo e a mente limpos, garis teriam o mesmo status de um médico ou líder religioso.

Seja governante de um continente ou o tio da portaria, todos, perante doença ou morte, são iguais. Na verdade, somos iguais a todo o tempo, mas só percebemos essa igualdade nessas horas.

Se respeitássemos a importância de cada profissão, seja qual for, as pessoas se preocupariam apenas em enquadrar suas aptidões, seguir seus SONHOS, e não seus bolsos ou qualquer outro sacrifício que tenham que passar para serem respeitadas ou bem vistas.

Parece utopia mas, na Austrália, por exemplo, Bem Southall é um simples zelador de uma ilha na Grande Barreira de Corais. Vai ganhar US$ 105,000 só para zelar da ilha.

O dinheiro faz a importância da profissão? Ou a importância da profissão que faz o dinheiro?

3 segundos para pensar.

1…

2…

¬¬

…Tá:

Cuidar do bulldog de um Shake Árabe deve ser mais rentável que cuidar do cão vira-lata e sarnento do seu vizinho.

Cuidar do jardim de uma casa não é tão importante quanto cuidar do jardim de uma ILHA INTEIRA.

A importância faz o respeito, que faz o dinheiro.

Fecho o post com o vídeo que me inspirou.

Hasta luego, muchachos.

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