Como estragar um ser humano

Todos já devem ter ouvido falar do “caso Maisa”, a apresentadora-mirim do SBT. Para os desinformados de plantão, um resumo: Maisa, uma garota de 7 anos, tem tinha um quadro fixo no programa Silvio Santos chamado “Pergunte para a Maisa”, que é caracterizado pelas respostas politicamente incorretas e desaforadas da menina aos telespectadores e ao próprio Silvio. Neste mês de maio, por dois domingos seguidos, Maisa saiu do palco em prantos, tendo inclusive se machucado na segunda vez. Isto ocorreu por ela ter se assustado com um figurante maquiado de “monstro” em um programa e por ter sido “encostado na parede” sobre o choro do domingo anterior por Silvio Santos.

O Ministério Público entrou com uma ação na justiça para impedir Maisa de realizar novos programas, e foi aberta uma ação civil pública pedindo indenização pelo ocorrido, que pode chegar a R$ 1 milhão. Ainda não foi emitido um parecer sobre o assunto.

Muitos foram à mídia para protestar contra o SBT, apoiando a decisão do MP. Não vou entrar no mérito da questão sobre a validade ou não do processo, vou apenas me ater à situação e suas consequências.

Uma grande questão dos dias atuais é que as crianças são ensinadas desde cedo que elas podem tudo, e não devem nada. Pode-se cuspir nos outros, mas /BIBLE-MODE ON “ai daquele que resolver que uma criança deve ter responsabilidades!” /BIBLE-MODE OFF.

Não quero dizer que devemos revidar nas crianças o que elas fazem de errado. Mas se aproveitar de uma atitude eticamente errada de falta de senso e incapacidade de convívio social saudável – porque a TV brasileira não pode em hipótese alguma ser considerada um exemplo de interação social saudável – é um completo absurdo. O SBT não só expôs Maisa a uma imagem constrangedora para quem está assistindo (e sendo ridicularizado por ela) como para ela mesma, que, numa prova de que ela é apenas uma menina de 7 anos, não pôde se controlar no primeiro revés de seu programa – algo perfeitamente normal para uma criança daquela idade.

Mas não se pode culpar somente o canal de televisão. Maisa só tinha seu programa porque tinha Ibope, porque o brasileiro acha bonito uma criança desmoralizar adultos em cadeia nacional. Por que é interessante para o povo que uma criança não tenha limites, e no primeiro choque de responsabilidade ela ainda saia como vencedora.

Não, senhoras e senhores, não estou dizendo que a Maisa é a vilã. Pelo contrário, ela não tem maturidade para ser qualquer coisa além de vítima – ela é uma criança de 7 anos. O que quero ressaltar é: porque ninguém chamou atenção para a “exposição indevida” da imagem da menina enquanto ela estava indo bem? Foi necessário um choque para o brasileiro entender que aquele quadro não era o lugar de uma criança como Maisa? Será que sempre teremos que esperar alguém morrer para fechar um local perigoso, ou esperar um tubarão devorar um banhista para fechar a praia, mesmo com claros sinais de que algo está muito errado?

A mente das pessoas está cauterizada, e já não discerne o certo do errado. Pensa-se que educar é permitir tudo, e que o NÃO é uma palavra proibida. Pensa-se que as crianças estão cada vez mais precoces, e que elas podem ocupar lugares perigosos para sua falta de maturidade.

Um bom programa – que não vejo mais passar na TV – é o tal de “Super Nanny”, onde pais sem o menor preparo sofriam na mão de seus filhos sem controle por que nunca haviam sido impostos limites a estes. Uma boa premissa – fazer os pais retomarem o controle – e que poderia ter sido replicada à Maisa, pois tenho certeza que os pais dela NÃO tem controle de suas atitudes, já que exploram comercialmente exatamente o oposto disto na TV.

Resumo do POST: Nunca denuncie a peruca (ou qualquer outra parte postiça) do Sílvio Santos em cadeia nacional. A vingança será cruel.

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Uma resposta para “Como estragar um ser humano

  1. @widescreen man “sabe o que eu acho, né?!
    eu acho é POUCO!” 😛

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